A doença periodontal afeta mais de um bilhão de pessoas. Em sua forma grave – a periodontite –, a inflamação desencadeada por bactérias destrói o periodonto, que é a fundação de suporte dos dentes (gengiva, osso alveolar e ligamentos). Sem essa estrutura, o dente adquire mobilidade e pode cair.
O grande gargalo da odontologia atual é que tratamentos convencionais (como a raspagem) apenas interrompem a infecção, mas não reconstroem o tecido destruído. Para passar da simples “limpeza” para a regeneração verdadeira, uma nova revisão científica, publicada em abril de 2026 envolvendo o pesquisador do INCT Model 3D Eduardo Backes, destaca que a bioengenharia está apostando nos hidrogéis baseados em polímeros naturais.
Pense em um hidrogel como uma rede tridimensional microscópica, parecida com uma lente de contato macia, capaz de absorver enormes quantidades de água. Na engenharia de tecidos, eles atuam como uma Matriz Extracelular artificial, uma espécie de “esqueleto” perfeito. Ao ser aplicado na cavidade causada pela periodontite, o gel “engana” as células-tronco do paciente, fazendo-as acreditar que estão em um ambiente propício. Isso estimula as células a se multiplicarem e a fabricarem novo tecido ósseo e ligamentos em segurança.
Para criar esses géis, a pesquisa tem focado em três materiais extraídos da natureza, cada um com uma propriedade biológica específica:
Para criar esses géis, a pesquisa tem focado em três materiais extraídos da natureza, cada um com uma propriedade biológica específica:
Legenda: Visão geral esquemática da perda óssea periodontal e a justificativa para o uso de hidrogéis à base de polímeros naturais como estratégia regenerativa (Tradução: GOMES NETO et al., 2026)
A transição desses materiais para os pacientes exige biotecnologia de ponta. Veja como essas inovações chegarão à cadeira do dentista:
Apesar da eficácia comprovada em modelos animais, a transição para a rotina clínica esbarra na escassez de testes em humanos. Faltam ensaios clínicos robustos que comprovem a segurança e a estabilidade a longo prazo desses hidrogéis no uso clínico. Além disso, a boca é um ambiente com forças extremas de mastigação, onde géis naturais macios podem se degradar muito rápido. Para solucionar isso, a fronteira científica aposta em “hidrogéis híbridos” – misturando os polímeros naturais com minerais resistentes, como a hidroxiapatita (presente em nossos ossos).
A regeneração periodontal já deixou de ser ficção científica. O grande passo agora é superar a barreira dos testes clínicos para devolvermos, com precisão, a função natural dos nossos sorrisos.
Gostou de entender como a ciência dos materiais está moldando o futuro da saúde?
Acompanhe nossas atualizações no blog e em nossas redes sociais para não perder nenhum detalhe sobre como o INCT Model 3D está transformando a pesquisa de doenças complexas no Brasil e no mundo. Siga-nos no Instagram e TikTok!
Referências:
GOMES NETO, J. de F. et al. Recent Advances in Natural Polymers‐based Hydrogels for Periodontal Regeneration. Macromolecular Bioscience, v. 26, n. 5, maio 2026. https://doi.org/10.1002/mabi.70194